Um programa de quatro pontos para lidar com a crise dos refugiados na Europa

Henning Meyer – A União Europeia encontra-se a braços com uma crise de refugiados em massa e torna-se óbvio que os líderes políticos têm muito poucas ideias acerca de como lidar com a situação. O governo húngaro ressuscitou a antiga e equivocada prática de construir vedações com arame farpado, o que tem sido severamente criticado pelo governo francês. É um criticismo justo mas que ignora um tanto ou quanto a situação no seu próprio território, em Calais, que o governo britânico considera ser inaceitável. Mas o que faz o Reino Unido? O governo de sua majestade também é um entusiasta das vedações, tendo patrocinado a construção de ainda mais barreiras em redor do terminal do Eurotúnel para evitar ter que lidar com os refugiados em solo britânico. Resumindo, o panorama é extremamente desanimador!
Ontem à tarde estive na Al Jazeera Internacional para debater esta questão e o que pode ser feito.
Creio existirem quatro áreas que precisam urgentemente de uma maior atenção política:
– A União Europeia tem que ser muito mais (pró)activa na prevenção e na resolução de crises. Caso sejamos mais activos na prevenção das crises, para começar, evitam-se as principais razões que levam as pessoas a abandonar os seus países de origem.
– Como escreveu Paul Collier na Social Europe, a esmagadora maioria dos refugiados encontram-se em áreas limítrofes de países atingidos por crises. Temos que adoptar uma estratégia muito melhor para auxiliar esses países e melhorar as vidas destes refugiados actuais/potenciais.
– Temos mesmo que reprimir os traficantes de pessoas que ganham dinheiro à custa do sofrimento dos refugiados e os levam, muitas vezes, para a cova. Isto tem pura e simplesmente que acabar.
– Precisamos também de um sistema de asilo/imigração muito mais integrado nos países membros da União Europeia e que abranja toda a União. Tal inclui a divisão deste fardo num verdadeiro espírito de solidariedade e uma distinção condigna entre refugiados e imigrantes – o que requer uma actualização dos trâmites legais, por exemplo, na Alemanha. É também necessária uma solução mais rápida para aquelas pessoas que já estejam a viver na Europa com um estatuto instável. No caso da Alemanha, não faz sentido extraditar refugiados que já estão plenamente integrados e que anseiam por uma vida em segurança e, ao mesmo tempo, queixar-se acerca da diminuição da sua população, com as vagas laborais e as redes de segurança social a começar a ressentir-se graças à alteração demográfica.
Resolver esta questão não será fácil mas parece-me que, se conseguirmos progredir nestes quatro pontos que delineei acima, iremos conseguir lidar com esta situação muito melhor do que agora.
© SOCIAL EUROPE | Todos os direitos reservados, traduzido sob expressa autorização Henning Meyer é Editor-em-Chefe da Social Europe e investigador associado do Grupo de Políticas Públicas da Escola de Economia e Ciência Política de Londres. É também director da consultora New Global Strategy Ltd. e assina frequentemente colunas de opinião em jornais internacionais como o The GuardianDIE ZEITThe New York Times e El Pais.

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