Propósito do Colectivo Metamorfilia

Vamos imaginar que temos ar puro para respirar, água limpa e abundante para beber, alimentos nutritivos em quantidade suficiente para comer, que o clima não está em colapso, as florestas são saudáveis, os animais não estão em sofrimento nem em risco de extinção, e as fontes de energia são inofensivas e inesgotáveis. Por momentos, vamos imaginar que a sobrevivência dos mais de sete mil milhões de seres humanos que pesam sobre o Planeta Terra, assim como a dos seus descendentes, não está em causa. De seguida, vamos imaginar que nada disto é verdade, e a realidade é o oposto, mas que não há nada que esteja nas nossas mãos, nada que um único ser humano possa fazer, para mudar o rumo desta história.

Agora, com estes dois cenários presentes, perguntamos a nós próprios: faz sentido a forma como vivemos e existimos? Como nos relacionamos uns com os outros, com nós próprios, com o mundo que nos rodeia, de que fazemos parte e que faz parte de nós?

Não procuramos dar resposta a nenhuma destas perguntas. O que queremos é que cada um de nós faça estes exercícios de imaginação, e se coloque a si mesmo perguntas como estas. Que se questione, procure as suas próprias respostas e formule novas perguntas, e pense no que pode fazer para dar sentido aos seus dias.

“Não herdamos a Terra dos nossos pais. Pedimo-la emprestada aos nossos filhos.”

Não queremos convencer ninguém de nada: quanto muito, só da necessidade de nos questionarmos. Mais importante do que a resposta, é colocar a pergunta. É esse o ponto de partida para qualquer transformação. Mas também não queremos alimentar um desespero cínico e nihilista, por mais que seja uma fase natural do processo. Como na metamorfose de uma lagarta, há uma espécie de morte que tem que ocorrer para haver lugar ao nascimento da borboleta. O que queremos é acolher e nutrir um desespero construtivo, fundado no amor pela vida, pelo Planeta, pela Natureza a que pertencemos. Um desespero que nos permita acreditar que vale a pena fazer algo de diferente, agir de forma diferente, apenas e só porque faz (mais) sentido.

Que herança queremos deixar aos nossos filhos e netos? Em que mundo queremos participar e que mundo queremos ajudar a construir? Como queremos ser recordados? Que pegada vai ficar marcada na memória e na consciência e no coração dos que vêm depois de nós? A ideia que está na génese do Colectivo Metamorfilia é dar um contributo para esta(s) conversa(s): com nós próprios e uns com os outros no presente, com nós próprios e uns com os outros no futuro, e com aqueles que ainda não podem conversar nem questionar-se. Mas vão fazê-lo. E quando o fizerem, vão perguntar: “Porquê?”. Por isso perguntamos agora: “Porque não?”.

Portal: https://metamorfilia.wordpress.com

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