Europeias 2019: o início de uma Europa populista?

A VoteWatch já divulgou a sua projecção mais recente quanto às eleições Europeias de 2019, estimando que os eurodeputados nacionalistas, neo-fascistas, neo-nazis, populistas de direita e derivados venham a obter cerca de 25% dos assentos do Parlamento Europeu, tornando-se na segunda maior força.

Não deixa de ser curioso que uma estrutura pensada para unir a Europa e evitar novas guerras e ressurgimentos fascistas após 1945, esteja na prática a servir como plataforma para os mesmos e, a este ritmo, corremos o risco de um dia vir a ter um Parlamento Europeu com uma maioria absoluta de extrema-direita e, quiçá, uma Comissão Europeia que acabe por democraticamente impor o que em 1945 as armas não conseguiram.

Claro está que a natureza dos nacionalismos da direita europeia evitam que a médio prazo sejam uma ameaça, pois existe uma enorme hostilidade entre os eurogrupos parlamentares populistas das várias nações europeias e dificilmente chegarão a acordo entre si (por norma chegam a acordo com conservadores e liberais nas suas respectivas nações, e certamente manterão a tendência no Parlamento Europeu).

Na realidade serão mais de 25% dos eurodeputados, uma vez que a VoteWatch se cingiu aos partidos que integram eurogrupos parlamentares reconhecidamente de extrema-direita e olvidou de incluir nesta estimativa outros populistas e nacionalistas da Hungria, Dinamarca e Finlândia (que me ocorrem de cor, certamente existem mais) que estão integrados no Partido Popular Europeu e noutros eurogrupos centristas. 2019 aparenta mesmo ser um ano de viragem para a política europeia, mantendo-se para já Portugal como única excepção após o sucesso do Vox em Espanha.

A imprensa portuguesa aparentemente bem se tem esforçado para criar um ambiente propício ao florescimento de um partido populista nas lusas terras, mas para já sem grande sucesso. A ver vamos qual será a popularidade de André Ventura, pessoalmente – como efectuei com Marinho e Pinto – já ando a firmar apostas de almoços e jantares em como, dada a natureza do eleitorado português, não irá conseguir eleger nem um único deputado. A ver vamos.

Flávio Gonçalves

 

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