Secreta britânica tentou fazer com que milícia atacasse escola

Um novo documentário, que tem por base uma entrevista com um confesso membro do Bando Glennane, aprofunda as alegações de que os serviços secretos britânicos estiveram por trás de um plano homicida para fazer com que a situação na Irlanda do Norte “ficasse fora de controlo”.

Intitulado Unquiet Graves: The Story of the Glennane Gang (Campas Irrequietas: A História do Bando Glennane, inédito em língua portuguesa), John Weir, ex-oficial da Real Guarda do Ulster, alega que os serviços secretos britânicos tentaram persuadir os paramilitares da Força de Voluntários do Ulster (FVU) a atacar uma escola primária católica em Belleeks, no condado de Armagh.

Weir afirma que se insistiu para que a FVU assassinasse crianças e professores em retaliação pelo massacre de Kingsmill em 1976, no qual homens armados efectuaram um atentado a um mini-autocarro com doze trabalhadores e os abateram, ao qual sobreviveu apenas uma pessoa, tendo esta sido baleada 18 vezes.

“O plano que foi acordado foi o de efectuar um tiroteio numa escola em Belleeks”, afirma, acrescentando que o plano da secreta britânica era fazer com que a situação na Irlanda do Norte “ficasse fora de controlo”.

O filme, dirigido por Sean Murray e narrado por Stephen Rea, autor nomeado para os Óscares, relata a história do Bando Glennane, uma aliança secreta informal de lealistas do Ulster que levaram a cabo ataques bombistas contra nacionalistas irlandeses e católicos nos anos 70, trabalhando frequentemente em conjunto com agentes da RGU e com soldados do Regimento de Defesa do Ulster.

Murray afirma que as conversas com Weir, confesso membro do Bando Glennane, sugerem que o plano da secreta era fomentar uma “guerra civil”:

“No seu ponto de vista, tamanha guerra seria extremamente curta; julgavam conseguir levar a cabo um rápido e acutilante processo para expurgar o IRA”.

De acordo com Weir, a FVU recusou levar a cabo o ataque.

“Muitas das pessoas aqui estão cientes, mas a nível internacional creio que irá atordoar os espectadores. O conflito deixou uma terrível e negra mácula na Irlanda do Norte, é incrível a dor que causou a milhares de pessoas aqui. Para haver algum processo de cura nesta ilha, se alguma vez avançarmos para uma reconciliação, as pessoas têm que começar a contar as suas histórias, mas mais importante que isso, precisamos de obter a verdade do Estado acerca do seu papel no conflito”, defende Murray.

Campas Irrequietas está em exibição em cinemas independentes na Irlanda e em Maio será emitido pela RTÉ, será também exibido em vários cinemas nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa e na Austrália. Estará também disponível no iTunes, Google Play e Amazon Prime.

Libertária com Sputnik

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