Americanos ameaçam sair da Alemanha – os alemães agradecem

O embaixador do Trump na Alemanha declarou que estão lá mais de 60 mil militares americanos e os alemães não pagam nada e utilizam os saldos positivos das suas exportações para as empresas e despesas interiores.

As direitas extremas defendem a economia de mercado, mas não percebem o que é. Quando a VW exporta motores para as suas fábricas nos EUA como faz a Daimler-Mercedes e a BMW estão a fazer negócios privados e a receber receitas que não podem ser entregues ao Estado alemão, salvo a percentagem habitual dos impostos que são iguais para todas as empresas.

Os militares americanos, disse um dirigente do SPD, podem sair já. Sucede que os EUA têm na Alemanha um grande hospital militar ligado a uma base aérea que trata os casos mais difíceis de militares americanos feridos nas guerras do Iraque, Síria e Afeganistão e têm algumas casernas onde descansam alguma tropas que estiveram a combater no Afeganistão e devem ficar perto dos teatros de operações para uma intervenção rápida em caso de necessidade. Os militares americanos na Alemanha formam apenas uma base logística para todas as zonas a Oriente.

O embaixador disse que queriam transferir essas tropas para a Polónia onde o governo de extrema-direita as aceita com o melhor gosto. Só que houve um tratado assinado com a Rússia quando a Polónia e outros países entraram na NATO em que os americanos não estacionariam tropas permanentes nesses países. Apenas podiam ir para exercícios.

Claro, a situação alterou-se a partir do momento em que a Rússia alarmou o mundo inteiro com os novos mísseis de cruzeiro capazes de voarem a 10.000 km/h a uma altura de 150 metros e, como tal, insusceptíveis de serem abatidos, os quais podem ser instalados no enclave russo de Kaliningrado entre a Polónia e a Lituânia para atingir em minutos Berlim e qualquer cidade alemã, polaca, etc.

O americanos não têm mísseis do género, pelo que poderiam ripostar com os mísseis balísticos, mas teriam uma resposta igual. Assim, em caso de guerra na Europa, os EUA não vão arriscar as suas cidades para defender países que não lhes dão qualquer lucro.

Claro, nestas coisas de armas, ninguém fica com um monopólio por muito tempo. Quem fabrica mísseis de cruzeiro que voam a 900 km/h também fabricará outros muito mais rápidos.

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Dieter Dellinger foi membro fundador do jornal “A Luta”, tendo posteriormente colaborado nas revistas “A Ideia”, “Sol XXI” e no “Jornal Económico”.