A revolução adiada de Fawkes a Joker

Remember remember the fifth of November.

A frase que marcou uma franja de malucos em 2005. Em 2005 V de Vingança marca o início da era da demolição da sociedade. Muitos viram, mas a sociedade não estava ainda no ponto para que este filme marcasse acções concretas contra o status quo da altura. Ficou quase como um filme de culto, onde alguns, poucos, desejavam que o que no filme se via se tornasse realidade.

Em 2019 surge um novo filme com o mesmo cenário, Joker. Mas este encontra já uma audiência mais madura e que já percebeu que o caminho da sociedade é o da auto-destruição. A geração que viu V de Vingança e nada fez, vê agora o Joker e quer fazer.

Quer participar nessa destruição pois sabe que ela é inevitável. Se em 2005 ainda tinha alguns sonhos por cumprir, em 2019 já percebeu que esses sonhos eram apenas insensatez juvenil.

Então pensa, que venha a demolição. Que o Joker (que somos nós) seja vingado e destrua parlamentos, capitalismos, comunismos, minorias, maiorias, tudo o que puder, e não deixe pedra sobre pedra na sociedade, para que os nossos filhos não tenham de ser escravos de uma coisa tão grande que nem se vê.

É por isso que o Joker tem 8.8 no IMDB. Mas apenas tem 5.9 no Metacritic

É que o primeiro é feito de adultos de meia idade, que já perceberam que Joker retrata bem a sociedade e que apela à acção de a destruir. Mas o segundo, o Metacritic, é feito por uma geração que está agora onde a geração anterior estava em 2005.

A começar, cheia de sonhos e projectos.

Não lhes interessa destruição nenhuma pois ainda agora estão a aprender as regras. Compreendo perfeitamente.

Se V de Vingança era para uma franja da população que já tinha percebido que o barco estava à deriva em 2005, Joker é para o grosso da população de meia idade que só o percebeu recentemente.

Já para a geração de 20 anos de hoje, Joker é violento demais, caricaturado demais, escuro demais e motivador de menos. Mas a geração que manda é sempre a de meia idade, mesmo que nos media pareça ser a mais jovem. E a geração de meia idade quer conflito, demolição e renovação urgente.

É isso que teremos na década de 20 que entra dentro de 2 meses.

Quanto aos mais novos?

Esperem um pouco mais que as comédias românticas e os musicais terão novamente o seu tempo já a seguir.

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João Branco Martins é actualmente presidente da Associação para o Posicionamento Estratégico e Financeiro (APEFI), cuja missão é levar a educação financeira de qualidade ao grande público através de aconselhamento pessoal e de workshops itinerantes. O autor coordena e apresenta um programa de rádio semanal na Rádio Clube de Sintra, durante o qual os ouvintes são aconselhados sobre a melhor gestão dos seus orçamentos domésticos. Estudou Gestão Imobiliária e desde cedo se interessou pelos assuntos financeiros, tendo sido responsável por uma das primeiras empresas de consultoria financeira em Portugal, bem como por empresas ligadas ao sector imobiliário.

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