O Culto de Greta Thunberg

Esta jovem soa cada vez mais como um esquisitóide milenar.

Quem tenha dúvidas de que o movimento verde se esteja a transformar num culto milenar deve olhar atentamente para Greta Thunberg. Esta pobre jovem parece e soa cada vez mais como o membro de uma seita. A voz monótona. O ar de pavor apocalíptico nos seus olhos. A conversa explícita sobre um grande “fogo” vindouro que nos irá punir pelos nossos eco-pecados. Há algo arrepiante e positivamente pré-moderno na Srta. Thunberg. Conseguimos imaginá-la numa dispersa igreja de madeira na colónia de Plymouth nos anos de 1600 a avisar os paroquianos acerca do fogo que cairá sobre eles se não conseguirem abdicar das suas bruxas.

Na verdade, faz sentido que a Srta. Thunberg – uma jovem sueca de 16 anos selvaticamente elogiada que fundou o movimento da greve climática para crianças de escola – soe como uma cultista. Pois o alarmismo das alterações climáticas está a tornar-se cada vez mais estranho, a raiar o religioso, obcecado com profecias apocalípticas. Segui a Rebelião da Extinção da Praça do Parlamento até ao Arco de Mármore e o que testemunhei foi uma manifestação pública de medo milenar e depressão burguesa. As pessoas interpretaram danças da morte e abanaram placares que alertavam para a morte iminente do planeta. Trespassava uma inquietação profunda.

Avassalou-me que se tratava de uma marcha contra o povo. A maior parte dos protestos radicais e da acção directa tem por alvo o oficialismo, o governo ou as pessoas com poder. Este devaneio macabro através de Londres tinha por alvo as pessoas comuns. As faixas e os placares não disfarçavam o desprezo dos manifestantes pelo modo de vida das massas. Diziam-nos que “Carne = Calor” (ou seja, que se continuares a comer carne, seu gordo desgraçado, o planeta vai ficar ainda mais quente) e que a condução e a aviação estão a destruir a Mãe Terra. Claro, não faz mal que eles voem – Emma Thompson foi em primeira classe num Jacto de Los Angeles para Londres para nos admoestar, plebeus, acerca das nossas datas festivas eco-destructivas. O problema é quando somos nós a fazê-lo; só é mau quando desfrutamos do milagre da produção de comida em massa e da expansão da aviação para tornar as nossas vidas mais plenas e agradáveis. Odeiam isso. Detestam que a sociedade de massas e os seus habitantes: as massas.

Mantendo-se a par com todos os cultos milenares, o culto verde obcecado pela extinção reserva o seu furor eclesiástico para as pessoas comuns. Mesmo quando pressiona o governo, na realidade está a pedir-lhe que nos castigue. Quer um controlo mais apertado sobre a condução, restrições na aviação, impostos verdes sobre a carne. Que estas coisas prejudiquem gravemente os bolsos das pessoas comuns – mas não os bolsos fundos da Emma Thompson e dos eco-snobes de duas caras que gerem a Rebelião da Extinção – e não fazem mossa à burguesia enfurecida. Tão convictos estão da sua própria bondade, e da nossa maldade, que julgam ser perfeitamente aceitável que o oficialismo nos torne as vidas ainda mais duras de modo a forçar-nos a ser mais “verdes”. As pessoas que se queixaram que a Rebelião da Extinção atrapalhou as vidas das pessoas em Londres não viram o cerne da questão – o propósito do movimento verde é atrapalhar a vida das pessoas normais, até mesmo submergi-la. Tudo a bem de “salvar o planeta”.

E agora o culto verde empurrou a Srta. Thunberg para o cargo de sua líder global, a sua salvadora infantilizada, a messias do seu miserabilista credo político. O que fizeram à Srta. Thunberg é imperdoável. Injectaram-na – e a milhões de outras crianças – com a política do medo. Convenceram a próxima geração que o planeta está à beira do abismo. Injectaram temor na juventude. “Quero que entrem em pânico”, disse a Srta. Thunberg em Davos, e os bilionários, celebridades e ONGs que os pululam alambazaram tudo. Pois a sociedade adulta nada mais adora do que ver os seus próprios receios e confusão obedientemente papagaiados por adolescentes. Celebram Thunberg porque esta lhes diz quão horríveis são: é uma relação completamente S&M, dirigida à auto-aversão das elites do século XXI.

Jovens, a Srta. Thunberg não é a vossa líder. É um bode expiatório para adultos elitistas assustados. Não façam o que ela diz. Pelo contrário, evitem entrar em pânico, gozem com o palavreado sobre o fogo infernal, e apreciem que a transformação do planeta pela humanidade foi um feito glorioso que aumentou a esperança de vida, permitiu que milhares de milhões vivessem em cidades e tornou possível que até os menos abastados viajassem pelo globo. Pequem contra a Sta. Greta.

Brendan O’Neil é editor da Sp!ked e anfitrião do podcast The Brendan O’Neill Show.

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