Democracia Local Mitigada e Surda

Ao longo dos anos (os Vizinhos já existem desde 2016) tenho participado em várias subscrições que se materializaram em envios de propostas e sugestões para a CML e para a Junta de Freguesia do Areeiro. De permeio fiz vários contactos com a vereação e com eleitos da assembleia de freguesia e muitos (quase diários) contactos com os órgãos intermédios da administração autárquica. No decurso desta actividade forjei a melhor opinião dos técnicos e diretores municipais, uma opinião muito variável dos técnicos da Junta de Freguesia que oscilam entre a extrema competência e o seguidismo mais boçal e uma opinião extremada dos vereadores da CML que oscilam entre os que são muito participativos e responsivos e aqueles que NUNCA respondem a uma mensagem, contacto, sugestão ou pedido de reunião. Ora isto, em democracia, é completamente intolerável. Tão intolerável como a organização de grupúsculos de ódio anti-vizinhos ou da falta de resposta (ou de respostas “laterais”) por parte do Executivo da Junta e de indivíduos ligados ao poder local e consentidos pelo silêncio cúmplice de alguns eleitos da oposição.

Estes fenómenos são totalmente inaceitáveis em democracia e servem, apenas, para reforçar o sentimento de distância entre Eleitos e Eleitores, para consolidar os assustadores (para a democracia) números da abstenção e abrirem caminho a propostas extremistas e radicais como aquelas que enterraram a democracia na Polónia, Hungria, Bulgária, EUA (Trump), Brasil (Bolsonaro), Roménia. Continuem mudos, surdos e agressivos, caros Eleitos e depois lamentem-se de terem perdido os vossos lugares para as hostes populistas.

Mas então será tarde demais:
para nós: Cidadãos e
para vós: Eleitos.

Rui Martins