O mundo não é a preto e branco

A propósito dos artigos recentes sobre o que correu mal nas eleições presidenciais no Areeiro e sobre alegadas violações das regras do confinamento por parte de eleitos locais quero sublinhar aquilo que já disse e escrevi várias vezes: embora não goste do estilo de gestão do actual executivo não devemos demonizar ou beatificar ninguém. O mundo da política local é um mundo complexo que não se compagina com visões maniqueístas a “preto” e “branco” ou de “bons” contra vilões. Ninguém é bom. Ninguém é mau. Todos somos ao mesmo tempo bons e maus e todos somos cinzentos e cometemos erros.

Tenho a certeza que se a Junta tivesse um estilo mais aberto, transparente ou comunicativo conseguiria passar aos moradores uma imagem muito mais positiva e que a falta deste estilo advém da personalidade do próprio presidente de Junta com as suas características muito centralistas e típicas de um presidente de Junta do século passado quando a Junta do Alto do Pina geria um orçamento de poucas dezenas de milhar de euros e praticamente não tinha competências além da passagem de atestados de residência. O estilo muda-se mas não a partir de uma certa idade pelo que tenho registado a uma intensificação do mesmo e não a um abrandamento…

Apesar desta dissonância de estilo não quero deixar de sublinhar aquilo que de bom também se fez no Areeiro em mais de 20 anos de mandato. Não tenho qualquer dúvida de que a minha foto se encontra numa sala da Junta coberta de dardos mas não estou num campeonato de popularidade e assim como critico o que está mal também elogio o que está bem no Areeiro. É certo que o próprio algoritmo do Facebook não realça esses elogios e que nós próprios (e eu não me excluo) tendemos a destacar muito mais o que está mal do que aquilo que está bem. Mas apesar de tudo o que está errado e de todas as propostas de melhoria que faço (e que, por regra, são desprezadas) vivemos numa das melhores freguesias de Lisboa, sem grandes problemas estruturais, com excedentes orçamentais crónicos (muitas autarquias vivem na condição oposta), o espaço público (passeios e jardins) está genericamente em boas condições e a recolha de resíduos urbanos por parte das equipas da Junta decorre de forma ordeira e Eficaz. Muito há a melhorar – especialmente em estilo e transparência – mas atrevo-me a repetir o lema de campanha partidária que o actual executivo passou para lema da Junta: “é bom viver no Areeiro”.