O futuro do CDS joga-se em Lisboa

Não é novidade para ninguém que siga de perto o que se passa no cenário político-partidário lisboeta de que existe uma aproximação entre PSD e CDS no sentido de apresentar listas autárquicas conjuntas. Já foram enunciados vários nomes para liderarem a lista à Câmara Municipal (alguns dos quais já recusaram publicamente o convite: como Paulo Portas) e outros que gostariam de o aceitar (como Assunção Cristas). Agora que se sabe que Carlos Moedas (PSD) será apoiado pelo CDS é praticamente certo que a liderança dos dois partidos deseja essa coligação também ao nível das freguesias.

Tudo parece impulsionar o CDS para este abraço com o PSD mas, atenção centristas, este “abraço laranja” pode mesmo ser o “abraço da morte” para o CDS. Não sou militante nem simpatizante centrista mas observo e formo opinião (informada: assim acredito) sobre o que me rodeia e sei que o CDS tem em Lisboa uma força eleitoral que não tem em muitos concelhos do país talvez por causa das características históricas, demográficas e níveis de rendimento. Por estas três ordens de razões será de esperar (e apesar dos sinais dados nas Legislativas e Presidenciais) que o CDS resista nas autárquicas muito melhor do que em qualquer outra das eleições anteriores. Por isso, ir a correr para uma coligação com a intenção de mascarar ou diluir os eventuais maus resultados se o CDS concorrer sozinho e evitar medir forças com quem ameaça devorar o seu eleitorado: IL e CHEGA é um erro. Se o CDS for coligado num dos raros concelhos onde tem hipóteses de ter bons resultados vai desperdiçar uma oportunidade para provar que essa sangria para a direita não é tão grave como se acredita.

A coligação entre o PSD e o CDS pode também apresentar riscos reputacionais para o CDS uma vez que será provável que o PSD reapresente os mesmos candidatos de há quatro anos que estão sob investigação judicial: https://observador.pt/especiais/tres-juntas-psd-rendem-mais-de-um-milhao-a-militantes/ ou https://observador.pt/2018/06/27/ps-e-psd-de-lisboa-alvo-de-buscas-por-suspeitas-de-corrupcao/.

O CDS precisa de se recordar que o CHEGA espreita cada erro que comete e que o discurso populista deste partido encaixa perfeitamente num tema judicialista e que todas estas associações serão maximizadas num partido que tem nas autárquicas um terreno essencial para estabilizar e criar um verdadeiro aparelho partidário com implantação nacional. Se o CDS se diluir numa coligação não resiste a esta erosão: obtem exactamente o efeito oposto: porque se diluiu noutro partido expôs a sua fraqueza e abriu espaço ao crescimento dos partidos à sua direita.